Índices futuros e bolsas mundiais operam no negativo, em dia de divulgação da ata do FOMC e do relatório Jolts

No Brasil, é aguardada para hoje a divulgação, pelo Banco Central, dos números sobre as transações correntes de novembro e de investimento estrangeiro.
3 de janeiro de 2024

Os índices futuros e a maioria das bolsas mundiais estão em trajetória negativa, nesta manhã de quarta-feira (3), seguindo o movimento de ontem (2). Para hoje, os investidores aguardam a ata do FOMC, o Comitê de Mercado Aberto do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), e o relatório Jolts, do mercado de trabalho norte-americano.

Tanto a ata quanto o relatório são importantes termômetros a respeito do futuro da política monetária dos Estados Unidos. Há expectativa de que haverá cortes nos juros em março, mas resta saber a dose.

Na véspera, o Nasdaq Composite apresentou sua pior sessão desde outubro e apenas o Dow Jones encerrou o dia com estabilidade. O tom de queda foi dado pelo setor de tecnologia, após o rebaixamento das ações da Apple na classificação do banco britânico Barclays, que acabou respingando nas demais empresas do setor.

No entanto, analistas observaram que as correções nos valores dos papéis são naturais, considerando as altas observadas no fim do ano, com avanço de 24% para o S&P 500 e 43% para o Nasdaq.

Em outra frente, o dia de ontem também foi marcado por movimentos globais de aversão ao risco. Os treasury yields (títulos do Tesouro dos EUA) avançaram, reagindo à preocupações com as perspectivas de taxas de juros e panorama econômico. O rendimento dos Treasuries de 10 anos subiu quase 9 pontos-base, atingindo 3,946%, e o retorno para o título de 2 anos estava 8 pontos-base mais alto, atingindo 4,328%.

No Brasil, o dia é de agenda fraca. Para hoje, é aguardada somente a divulgação, pelo Banco Central, dos números sobre as transações correntes de novembro e de investimento estrangeiro. A projeção é de menos US$ 400 milhões.

Brasil

Ibovespa encerrou o primeiro pregão do ano, na terça-feira (2), em queda de 1,11%, aos 132.696,63 pontos. O movimento da bolsa brasileira acompanhou o embalo das bolsas de Nova York.

Nos Estados Unidos, os investidores estão avaliando as expectativas sobre a política monetária, com a percepção de que o ciclo de corte das taxas de juros pode ser menor que o esperado, embora se acredite que o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) vá começar o ciclo de redução dos juros em março.

Como consequência do movimento de ontem, os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasurys, voltaram a ganhar fôlego e as bolsas de Nova York encerraram o pregão majoritariamente em queda.

Nas negociações do dia, o dólar ganhou força e terminou a sessão a R$ 4,9158, com alta de 1,29% no mercado à vista.

Estados Unidos

Os índices futuros de Nova York estão no negativo, nesta manhã, estendendo o movimento da véspera quando o Nasdaq Composite apresentou sua pior sessão desde outubro (-1,6%), e apenas o Dow Jones encerrou o dia com discreta alta (+0,1%). O S&P 500 também apresentou queda (-0,6%).

O movimento foi puxado pela mudança de recomendação das ações da Apple, que derrubou todo o setor.

Dow Jones Futuro (EUA), -0,06%
S&P 500 Futuro (EUA), -0,11%
Nasdaq Futuro (EUA), -0,22%

Europa

Na Europa, as bolsas abriram o pregão sem direção definida, mas passaram para queda ao longo da manhã. O índice Stoxx 600, que operava com estabilidade na abertura, virou para o negativo.

Os setores permanecem mistos, com destaque para ações de saúde subindo 1,04% e de alimentos e bebidas em ligeira alta de 0,6%.

Por outro lado, há recuo de 0,8% do setor de construção e materiais, e queda de 0,6% dos papéis de tecnologia e mineração.

FTSE 100 (Reino Unido), +0,1%
DAX (Alemanha), -0,15%
CAC 40 (França), -0,58%
FTSE MIB (Itália), -0,16%
STOXX 600, -0,1%

Ásia

Já na Ásia, os mercados operam em queda, puxados por grandes empresas de tecnologia, em especial fabricantes de chips, sentindo os efeitos do rebaixamento da Apple.

Shanghai SE (China), + 0,17%
Nikkei (Japão), – fechada devido à feriado
Hang Seng Index (Hong Kong), – 0,85%
Kospi (Coreia do Sul), – 2,34%
ASX 200 (Austrália), – 1,37%

Petróleo

Após oscilações no primeiro dia do ano, com início do dia em alta e fechamento com quedas, o petróleo recua nesta quarta-feira, devido às escaladas das tensões no Mar Vermelho, após mais ataques do grupo radical Houthi, do Iêmen, à embarcações cargueiras. A Marinha dos EUA destruiu três barcos Houthi e, em resposta, o Irã anunciou envio de navio para a região.

Petróleo WTI, – 0,87%, a US$ 69,77 o barril
Petróleo Brent, – 0,8%, a US$ 75,29 o barril

Agenda

Nos Estados Unidos, a agenda de hoje tem como destaque a ata do FOMC e o relatório Jolts, nos EUA.

Por aqui, no Brasil, no campo político-econômico, o BC (Banco Central) esclareceu ontem, em Brasília, que o teto de juros para o rotativo e da fatura parcelada do cartão só entram em vigor nesta quarta-feira (3). Segundo o órgão, o feriado de 1º de janeiro adiou em um dia a entrada em vigor da medida, que limitou em 100% do valor total da dívida os juros e encargos das duas modalidades do cartão de crédito. O prazo da Lei do Desenrola, que instituiu o teto para as duas modalidades do cartão de crédito, terminaria em 1º de janeiro. Com o feriado, a data-limite para a apresentação e a aprovação de uma autorregulação do setor ficou para a terça. Como não houve acordo para a regulação própria, o teto entrará em vigor em 3 de janeiro. Na seara econômica, hoje o BC apresenta os dados das transações comerciais, com projeção LSEG de queda de U$ 400 milhões.

Redação ICL Economia
Com informações das agências de notícias, InfoMoney e Bloomberg

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