Lula defende investimentos na região amazônica e apoia exploração de petróleo na margem equatorial

Em entrevista, Lula ressaltou a importância de investimentos em infraestrutura nos estados amazônicos com a possibilidade de aliar preservação com exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas
4 de agosto de 2023

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu nesta quinta-feira (3) a rádios da Amazônia. Lula falou de temas cruciais para a região. Durante o bate-papo, ele ressaltou a importância de investimentos em infraestrutura nos estados da região — Acre, Amapá, Pará, Roraima e Rondônia. Entre os pontos relevantes, a exploração sustentável de petróleo na bacia do rio Amazonas. Aliado a isso, está em foco a necessidade de intensificar o combate ao desmatamento e a urgência em promover a transição energética para padrões mais sustentáveis e abrangentes.

Lula também enfatizou a relevância de uma atuação mais efetiva nas fronteiras para combater a violência e o crime organizado, visando fortalecer a segurança na região. Além disso, o presidente destacou a preparação da Amazônia para sediar a COP-30 em 2025, uma conferência crucial da ONU sobre mudanças climáticas. A entrevista foi transmitida pelos canais oficiais da Presidência nas redes sociais, buscando ampliar o alcance das informações e o engajamento com a população local.

“Vamos fazer um grande debate e tentar convencer os nossos parceiros de que precisamos trabalhar de forma unida, de forma coesa, para que a gente possa combater o crime organizado, o narcotráfico, e que a gente possa cuidar do povo que mora nas nossas florestas. Dos nossos ribeirinhos, dos nossos indígenas, dos nossos pescadores. As pessoas que moram no Amazonas têm direito de trabalhar, de comer, de se vestir, de passear, de viver bem”, disse o presidente.

Desenvolvimento local no governo Lula

Entre os planos de desenvolvimento para a região, está a possibilidade de exploração de petróleo na bacia do Rio Amazonas. Em maio, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) indeferiu pedido da Petrobras para realizar atividade de perfuração marítima no local. Contudo, Lula disse que a decisão ainda pode ser revista. Para isso, de acordo com o presidente, a Petrobras deverá corrigir algumas falhas no projeto.

“Eu vou dizer que vocês podem continuar sonhando e eu também quero continuar sonhando. Primeiro, nós temos que pesquisar, nós temos que saber se tem aquilo que a gente pensa que tem, e quando a gente achar, a gente vai tomar uma decisão do Estado brasileiro. O que a gente vai fazer? Como é que a gente pode explorar? Como é que a gente vai evitar que um desastre qualquer possa prejudicar a nossa querida margem do Oceano Atlântico na Amazônia?”, disse Lula, aos jornalistas.

Projeções lucrativas

A expectativa é de que as reservas abriguem uma quantidade estimada entre 10 bilhões a 30 bilhões de barris de óleo equivalente, o que representaria um valor de reservas entre US$ 770 bilhões a US$ 2,3 trilhões. Caso todas as autorizações sejam concedidas, o início da produção está previsto para o ano de 2030. Essa exploração potencial abriria caminho para uma nova fonte de recursos para os estados e países da região.

“Nós estamos vendo o Suriname explorando petróleo, a Guiana explorando petróleo e eu acho que Trindade e Tobago já está explorando. Nessa margem equatorial deve ter petróleo e ela fica uma distância muitos quilômetros longe da margem e nós vamos então pesquisar”, completou Lula.

Compromissos

Em meio à sua agenda na região, Lula tem uma série de compromissos programados, incluindo visitas a Parintins, Santarém e Belém. Na capital paraense, ele participará de um encontro com líderes de todos os países que abrigam a floresta durante a Cúpula da Amazônia, que começa na próxima terça-feira (8).

O evento representa um momento histórico, pois pela primeira vez em 45 anos, os países da região estão unidos na tentativa de formular um documento conjunto para apresentar nos principais fóruns internacionais sobre a preservação do meio ambiente e as ações para enfrentar as mudanças climáticas que afetam a Amazônia e o mundo todo.

Rede Brasil Atual

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