Mais bilionários acumularam riqueza com dinheiro de herança do que do trabalho, aponta estudo do banco UBS

Foi a primeira vez que esse fenômeno aconteceu, segundo a instituição. Para o economista Eduardo Moreira, notícia "é um diagnóstico preciso" dos caminhos em que o mundo está seguindo no acúmulo de riqueza nas mãos de poucos privilegiados.
6 de dezembro de 2023

Um levantamento feito pelo banco suíço UBS, gestor das maiores fortunas do mundo, mostra que os bilionários acumularam mais riqueza via herança do que trabalhando. Do total de 137 pessoas que entraram para a lista, 53 herdaram US$ 150,8 bilhões (cerca de R$ 736 bilhões), 7% a mais que os US$ 140,7 bilhões (R$ 690 bilhões) obtidos pelos 84 outros bilionários trabalhando.

Os dados foram divulgados no fim de novembro e mostram essa mudança na configuração desde que o estudo “Ambições de Bilionários” do banco suíço começou a ser produzido, em 2015.

O resultado é um retrato bastante claro das desigualdades sociais no mundo e do quanto o dinheiro permanece nas mãos de alguns poucos privilegiados, normalmente dentro da mesma linhagem sanguínea.

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O economista Eduardo Moreira. Reprodução: ICL Notícias

“Essa notícia é emblemática, pois é um diagnóstico preciso dos caminhos onde a gente está seguindo, em que as coisas estão cada vez piores. Você vai acumulando cada vez mais riqueza e vai cada vez mais protegendo a transferência dessa riqueza para as próximas gerações sem nenhuma distribuição de renda”, disse o economista e fundador do ICL (Instituto Conhecimento Liberta), Eduardo Moreira, na edição de ontem (5) do ICL Notícias, live diária transmitida via redes sociais.

Segundo o estudo do UBS, o dinheiro recebido de herança no patrimônio dos bilionários deve crescer com o tempo.

“Durante os próximos 20 a 30 anos, mais de mil bilionários vão transferir cerca de US$ 5,2 trilhões (R$ 25,51 trilhões) aos herdeiros”, calculou o banco, que leva em conta o patrimônio de bilionários que já têm 70 anos ou mais.

Para efeito de comparação, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2022, que é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos pelo país naquele ano, somou R$ 10,1 trilhões, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Ou seja, apenas mil pessoas no planeta inteiro, de quase 8 bilhões de habitantes, acumularão a riqueza equivalente a quase dois Brasis e meio, conforme salientou o próprio Eduardo Moreira.

O estudo ainda mostra que a quantidade de bilionários pelo mundo e a riqueza total do grupo também subiu no período de 12 meses encerrados em abril.

O número de pessoas foi de 2.376 para 2.544 e a riqueza saiu de US$ 11 trilhões (R$ 54,19 trilhões) para US$ 12 trilhões (R$ 58,87 trilhões).

Chamou a atenção na notícia que entre os novos bilionários está o italiano Clemente de Vecchio, que, aos 19 anos, herdou uma fortuna estimada em US$ 9 bilhões (R$ 44,15 bilhões) após a morte do pai, Leonardo Del Vecchio, magnata fundador da Luxottica, em junho de 2022. Contudo, o UBS disse que muitos dos herdeiros têm mais de 50 anos.

Embora muito desigual, Brasil também é ilha de bilionários herdeiros

Nesta semana, chamou a atenção a notícia da venda de um terreno de 30 mil metros quadrados, no valor de R$ 370 milhões, em uma das áreas mais nobres do Rio de Janeiro, a Barra da Tijuca, para a Tegra Incorporadora, em parceria com a Construtora São José. O local vai virar um empreendimento residencial de luxo.

A venda foi revelada pelo blog do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que afirmou que o terreno foi vendido pelas cinco filhas do banqueiro Aloysio Faria, que faleceu em setembro de 2020, aos 99 anos.

Na época de sua morte, ele era o banqueiro mais velho da lista da revista Forbes e o terceiro mais idoso entre todos os bilionários, com uma fortuna estimada em US$ 1,7 bilhão.

Médico por formação, Faria herdou de seu pai o banco que viria a ser o Real. Em 1998, ele vendeu a instituição ao holandês ABN Amro (posteriormente comprado pelo Santander). Depois da venda, ele fundou o banco Alfa.

Discreto, Faria construiu um conglomerado em mais de 80 anos de vida empresarial, que incluía o banco Alfa e empresas como a rede de hotéis Transamérica, emissoras de rádio, a fabricante de água mineral Águas da Prata, a gigante de material de construção C&C, a produtora de óleo de palma Agropalma, entre outros negócios.

Após a morte dele, as cinco herdeiras começaram a venda do patrimônio da família, em uma estratégia desenhada pelo próprio Faria para dividir o patrimônio para evitar conflitos futuros.

Assista ao ICL Notícias no vídeo abaixo:

Redação ICL Economia
Com informações das agências de notícias e do ICL Notícias

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