Ministério da Agricultura negocia com varejistas para não deixar faltar arroz e evitar escalada de preços do produto

Em nota, governo do RS disse que a safra de arroz no estado "deve ficar em torno de 7,1 milhões de toneladas, mesmo com as perdas pelas inundações que o estado sofreu em maio".
22 de maio de 2024

Ao que tudo indica, não deve faltar arroz no mercado brasileiro. É o que garante o governo do Rio Grande do Sul, estado responsável por cerca de 70% da produção nacional do cereal. Mesmo com as fortes enchentes que afetam o estado, o Executivo gaúcho disse ontem (21) que a safra de arroz que vem sendo produzida ao longo deste ano será suficiente para abastecer a demanda do país.

Ainda assim, o governo federal monitora os preços praticados pela indústria de arroz no país. A ideia do governo Lula é se reunir com atacadistas para evitar uma escalada nos preços, incluindo o estoque já em posse dos revendedores.

Ao blog da jornalista Ana Flor no g1, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que a pasta está estruturando uma “ação” com varejistas brasileiros. Esse seria o primeiro passo, segundo ele, para garantir o abastecimento sem escalada de preços.

Dessa forma, o governo quer evitar uma possível escassez de arroz no mercado e, consequentemente, especulações nos preços.

Segundo informações do blog, o Ministério da Agricultura reuniu dados levantados por associações de supermercados. As tabelas mostram que, de nove empresas que vendem arroz ao varejo, cinco suspenderam as negociações.

O governo também identificou que pelo menos oito das principais marcas de arroz do país já vendem o cereal com reajustes entre 5% e 14% – mesmo sem terem estoques afetados pelas enchentes no RS.

Na última segunda-feira (20), o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) zerou as tarifas de importação para dois tipos não parbolizados e um tipo polido/brunido do grão.

Além disso, o governo também decidiu suspender o leilão que previa comprar o cereal de países vizinhos depois de o Mercosul elevar os preços em cerca de 30% antevendo a compra.

“Nós demos uma demonstração ao Mercosul de que, se for querer especular, nós buscamos de outro lugar”, disse Fávaro.

Uma nova data para o leilão e a origem da importação do produto estão em discussão entre os vários órgãos envolvidos. O mais provável é que a importação terá como origem a Tailândia.

Governo do RS diz que safra de arroz será suficiente para abastecer o mercado interno

Em nota, o governo do estado afirmou que a safra “deve ficar em torno de 7,1 milhões de toneladas, mesmo com as perdas pelas inundações que o Estado sofreu em maio”. O volume seria suficiente para abastecer o mercado interno e “bem próximo ao registrado na safra anterior”, de 7,3 milhões de toneladas.

Ainda segundo o governo gaúcho, isso “comprova que o arroz gaúcho é suficiente para abastecer o mercado brasileiro, sendo desnecessária a importação do grão”.

Os dados foram calculados pelo Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz) e apresentados em reunião extraordinária da Câmara Setorial do Arroz, realizada pela Seapi (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação) ontem.

Ainda segundo o governo do Rio Grande do Sul, a estimativa de produção total feita pelo instituto “leva em consideração a produção já colhida até a ocorrência das enchentes (6.440.528 toneladas), somada a um cálculo de produtividade para os 101.309 hectares restantes de área não atingidos pelas cheias, levando em consideração uma média de produção de 7 mil quilos por hectare”.

No dia 9 de maio, o governo federal publicou a MP 1.217/24 que autoriza a importação de arroz, em caráter excepcional, de até 1 milhão de toneladas do cereal pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para a recomposição dos estoques públicos por conta das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.

A medida provisória vale para este ano e autoriza a importação do arroz beneficiado (pronto para consumo) ou em casca.

As compras serão feitas de modo gradual, ou seja, conforme a necessidade do mercado e sem prejuízo aos produtores brasileiros.

Com a medida, o governo pretende assegurar para o consumidor final o preço de R$ 20 para o pacote de 5 quilos de arroz na importação do produto.

A maior parte das importações de arroz atualmente são de países do Mercosul, onde já há a vantagem da isenção tributária. Nessa primeira fase de importação serão comprados 100 mil toneladas de arroz, descascado e empacotado de países do bloco econômico.

Redação ICL Economia
Com informações do g1 e O Globo

 

Continue lendo

Assine nossa newsletter
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.