Governo e bancos discutem regime para baratear crédito na regulamentação da reforma tributária

Estudo recente do Cemec-Fipe mostra que o endividamento das empresas fechou o ano de 2023 em 35,9% do PIB, nível próximo ao registrado durante a crise econômica de 2015, quando essa relação estava em 36,1%.
13 de março de 2024

O Ministério da Fazenda está discutindo com bancos uma forma de baratear o custo do crédito para empresas brasileiras. A ideia é utilizar a fase de regulamentação da reforma tributária do consumo, aprovada no ano passado, para discutir uma modalidade de crédito nesse sentido.

A proposta aprovada prevê regime específico para os serviços financeiros – o spread bancário entre eles, o que depende da regulamentação.

De acordo com informações de O Estado de S.Paulo, o tema do barateamento do crédito vinha sendo discutido pelo nível técnico do governo. Mas, nesta semana, o assunto foi um dos tratados entre o presidente da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), Isaac Sidney, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em reunião na segunda-feira passada (11), em Brasília.

Por outro lado, reportagem do jornal Folha de S.Paulo mostra que as companhias brasileiras continuam com dificuldades para cumprir com seus compromissos financeiros mesmo após o início de ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, a partir de agosto do ano passado.

A reportagem aborda estudo recente do Cemec-Fipe (Centro de Estudos de Mercado de Capitais da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o qual mostra que o endividamento das empresas fechou o ano de 2023 em 35,9% do PIB (Produto Interno Bruto), nível próximo ao registrado durante a crise econômica de 2015, quando essa relação estava em 36,1%.

Ao mesmo tempo, os índices de inadimplência das companhias divulgados pelo Banco Central vêm crescendo aceleradamente desde meados de 2022, com uma pequena queda apenas em dezembro do ano passado, para 3,47%.

Entre os anos de 2015 e 2016, a taxa de inadimplência girou em torno de 6% e, no fim de 2020, durante a pandemia de Covid-19, era de 1,45%.

15,5% das empresas de capital aberto não geraram caixa suficiente no ano passado. Reforma tributária pode facilitar crédito

Entre as companhias de capital aberto na B3, a bolsa brasileira, 15,5% não geram caixa suficiente para cobrir suas despesas financeiras, segundo o estudo. O percentual representa 82 empresas das 450 que estão na bolsa, tirando Vale, Petrobras e Eletrobras que, pelo tamanho, poderiam distorcer a análise.

Diante desse cenário, os números de recuperação judicial também dispararam no Brasil. Segundo o levantamento, que utilizou dados de empresas de todos os portes reunidos pelo Serasa, os pedidos de Rio de Janeiro cresceram 80,7% no último trimestre do ano passado na comparação com o mesmo período de 2022.

Por outro lado, 2024 começou com muitas das empresas pedindo reestruturação de dívidas, seja por meio de recuperação judicial, recuperação extrajudicial ou acordos com credores.

À Folha, Luciano Lindemann, diretor-executivo sênior na prática de reestruturações da FTI Consulting, disse que reduzir juros não basta para solucionar o problema das empresas.

“O simples fato de reduzir os juros não faz mudar o endividamento das empresas, apenas diminui o serviço da dívida. E, ainda assim, é pouco significante a mudança. Os juros foram de 13,75% para 11,25%; isso tem pouco efeito para as companhias”, afirmou.

Os especialistas ouvidos pelo jornal disseram que entre os setores que mais têm buscado reestruturação de dívidas está o agronegócio, que passou a sofrer com queda nos preços das commodities.

Outro setor que também tem gerado preocupação é o varejo, especialmente depois da crise da Lojas Americanas, varejista que está em recuperação judicial desde o ano passado depois da descoberta de uma fraude contábil.

Redação ICL Economia
Com informações da Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo

 

 

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