Bolsonaro vai ao STF contra estados por ICMS do diesel. Especialistas avaliam que medida não garante menor preço

Presidente sustenta que uma mudança na política de ICMS do diesel pelos estados pode levar à redução do preço do litro nas bombas
13 de maio de 2022

Em meio a uma forte alta de preços dos combustíveis, que pode afetar a popularidade do presidente, Bolsonaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação contra a política de ICMS do diesel praticada pelos estados. O pedido foi protocolado nesta quinta-feira (12) pela Advocacia-Geral da União (AGU). O presidente afirma que uma mudança no ICMS pode levar à redução nos preços.

Especialistas consultados avaliam a mudança de política do ICMS do diesel não garante menor preço no litro do combustível. Desde o início do governo Bolsonaro, o litro do diesel nas bombas já subiu 111%.

Na ação, a AGU pede que o Supremo suspenda o convênio do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) que definiu a alíquota de ICMS sobre o diesel.

Procurados, os estados afirmaram que não foram notificados oficialmente por causa da ação referente ao ICMS do diesel. Em nota, o Comitê Nacional de Secretários da Fazenda, Finanças, Receitas ou Tributação dos Estados e Distrito Federal (Comsefaz) disse que “os Procuradores-Gerais dos Estados irão aprofundar os argumentos que embasaram o pedido da AGU e analisar a procedência ou não da ação”.

Eles alegam que já estão abrindo mão de arrecadação ao manter o congelamento do ICMS: até o momento, a renúncia é de R$ 15,9 bilhões, considerando o período entre novembro de 2021 e abril de 2022. Caso haja extensão até o final do ano, a projeção de renúncia é de R$ 37,1 bilhões. As perdas são partilhadas com municípios, que deixam de receber 25% da arrecadação com ICMS.

Criação de alíquota única para o ICMS do diesel

Toda a polêmica envolve a lei aprovada às pressas, em março, para tentar reduzir o preço do diesel em até R$ 0,60, segundo estimativas do governo. A lei zerou os tributos federais sobre o combustível e estabeleceu que os estados deveriam criar uma alíquota única de ICMS do diesel.

Diversos estados argumentaram, na época, que a lei era inconstitucional, por ferir o pacto federativo. Mas, ao invés de questionar a norma, criaram uma engenharia: tornaram a alíquota do ICMS muito elevada, de R$ 1,09, acima do valor então cobrado no estado onde o imposto era o mais alto.

Em troca, o convênio do Comsefaz determinou que cada estado poderia dar descontos sobre esta alíquota. Assim, na prática, cada estado manteve a cobrança de ICMS do diesel como já era feita. Não ocorreu a criação de uma alíquota nacional sobre o diesel.

Redação ICL Economia

Com informações das agências de notícias

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