Os aumentos decorrentes da elevação da taxa de juros básica (Selic) por meio da política monetária do governo Jair Bolsonaro, que saltou de 2% em março de 2021 para 13,75% em setembro deste ano, resultaram no pagamento de juros da dívida que somam R$ 200 bilhões. “É o maior programa de transferência de renda da história, de toda sociedade, para o 1% mais rico do País”, disse o economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) José Luís Oreiro ao jornal Hora do Povo.
Segundo a reportagem, “a transferência de renda da sociedade para o setor financeiro, por meio dos juros da dívida pública, atingiu a soma de R$ 586,4 bilhões no acumulado de doze meses até julho. A cifra bilionária gasta pelo governo Bolsonaro com juros representa 6,31% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo informações do BC. No mesmo intervalo de tempo do ano passado, a soma foi de R$ 323,5 bilhões (3,94% do PIB)”.
Governo Bolsonaro: 33 milhões de pessoas passam fome
“Nós temos 33 milhões de brasileiros passando fome, e são quase R$ 600 bilhões transferidos para os mais ricos”, ressaltou Oreiro. Ainda segundo ele, o aumento da taxa de juros não conteve a alta inflacionária. “Qual foi o efeito que teve sobre a inflação este aumento da taxa de juros? Nenhum. A inflação só cedeu um pouco nos últimos dois meses porque o governo reduziu o ICMS sobre os combustíveis e sobre eletricidade e isto deu deflação em dois meses. É por isto que a inflação este ano vai fechar menor que a previsão, não foi por causa da elevação dos juros”, explicou.
Ainda segundo ele, “é uma mentira dizer que há transferência no Brasil dos ricos para os pobres. O que tem é uma transferência de renda de toda a sociedade para os mais ricos. Eu repito, esse aumento em um ano de R$ 200 bilhões é três vezes o Auxílio Brasil. É transferir de toda a sociedade para os 1% mais ricos. Lógico que este pessoal está apoiando Bolsonaro, evidente, estão ganhando muito dinheiro”.